Mais da metade dos alunos do ensino médio terá profissões que ainda não existem, estima especialista da PUCRS

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Mais da metade dos estudantes que atualmente cursam o ensino médio na escola terão no futuro profissões que ainda não existem. A estimativa é do superintendente de Inovação e Desenvolvimento da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Jorge Luis Nicolas Audy. Ele acredita que os novos ofícios serão associados à inovação, pesquisas em medicina, energia e sustentabilidade, com tarefas que exigem habilidades únicas, criatividade e talento.

“Sessenta, setenta por cento dos estudantes que estão no ensino médio hoje, que estão entrando na universidade, vão trabalhar em coisas que não existem hoje”, afirma Audy.

A boa notícia é que o trabalhador de hoje pode se reinventar para não ser substituído por máquinas. Mas para isso, é necessária uma ação conjunta de diversas frentes.

Em uma vinícola de Bento Gonçalves, na Serra, um robô recebe as uvas, que também foram colhidas por uma máquina. Responsável pela empresa, o agricultor Renato Moresco conta ter tentado encontrar quem quisesse trabalhar na função. “Os poucos que tem, já têm um lugar, então está sendo difícil mesmo a mão-de-obra”, diz.

A automação foi um alívio para o produtor. No entanto, não foi definido um limite para onde ela pode chegar. Uma impressora digital, por exemplo, pode reproduzir qualquer desenho em milhares de cópias para peças de vestuário e decoração, com alta qualidade, baixo custo, e trabalhando horas sem parar.

“Temos casos em que são 500 pessoas em uma linha sendo substituídas por quatro máquinas”, conta o diretor de operações Sidnei Marques. “Aquele trabalho sujo que gera muitos poluentes vem sendo substituído por trabalho limpo e mais técnico”, acrescenta.

 A tendência é que, nos próximos anos, muitas pessoas sejam obrigadas a mudar de carreira, e aprender a desempenhar novas tarefas. Os trabalhadores do futuro deverão passar mais tempo em atividades nas quais as máquinas sejam menos capazes.

“Toda aquela função que hoje é extremamente operacional e eu tenho retrabalho, a gente pode imaginar que ao longo do tempo ela vai saindo e sendo substituída por outras funções mais voltadas pra pesquisa desenvolvimento, inovação, gerenciar o negócio, vender mais e assim por diante”, diz o consultor da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) Igor Hoelscher.

O estado terá de enfrentar o desemprego que pode aumentar com o avanço tecnológico, incentivando quem está no meio da carreira a adquirir novas habilidades, para um mercado de trabalho com necessidades que mudam o tempo todo. O professor e especialista em inovação Silvio Meira sugere a adoção de programas em massa de reciclagem profissional.

“São programas colaborativos, entre políticas públicas e iniciativa privada, organizações do terceiro setor e instituições educacionais para retreinar as pessoas muito rapidamente. E isso faz sentido econômico para o empregador, para as empresas e para o governo, simplesmente porque você tirar as pessoas que estão no ambiente de trabalho e colocar novas pessoas que supostamente entendem das tecnologias afeta seriamente a cultura do lugar”, adverte.

Entre as medidas que também podem compensar o impacto da automação, estão:

 

  • Manter um crescimento econômico robusto para favorecer a criação de empregos;
  • Aproximar os trabalhadores das empresas que buscam suas habilidades;
  • Ajudar quem perdeu a vaga a encontrar um emprego remunerado;
  • Reforçar a educação.

 

“A primeira coisa é você começar a olhar para trabalhos que são mais criativos do que você está fazendo agora. Se você está fazendo alguma coisa repetitiva, onde você entra e fica batendo a mesma coisa o tempo todo, o dia todo, e você não aprende nada semana após semana, você esta desconstruindo o seu currículo”, explica Meira. “O último diferencial competitivo, o grande diferencial competitivo, vai ser a capacidade de aprender. Muito mais do que a gente sabe hoje”, acrescenta.

FONTE: G1

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